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Assistam ao filme M-8: Quando a morte socorre a vida

Com o fechamento das salas de cinema e a impossibilidade de apreciarmos a 7° arte no seu real habitat, cada vez mais aqui em casa estamos adeptos da prática caseira dos filmes por streaming. No último final de semana, tivemos o prazer de assistir ao incrível M-8: quando a morte socorre a vida.


Logo no começo do filme, tão esperado por mim desde o ano passado, percebi que apesar de ser apenas uma trama ficcional, sabia também que poderia ser tranquilamente a minha, a sua ou a história de qualquer outra pessoa preta que sobrevive em nossa, infelizmente, sociedade racista. O longa, através de uma narrativa nua e crua da realidade, retrata com perfeição as dores e as dificuldades que o jovem negro passa para conseguir se inserir no ambiente acadêmico e ser respeitado em seu meio social.

O lançamento aconteceu em 2020, mas por conta da pandemia, algumas mudanças precisaram ser feitas, até que ele fosse vinculado para uma das plataformas mais conhecidas do momento. Como amante das produções audiovisuais, fiquei feliz em saber que um filme montado e pensado para falar sobre a vida de um jovem negro recém ingressante no meio universitário seria lançado. Para minha alegria maior, o ator que interpretaria o personagem principal, Maurício, seria Juan Paiva, um profissional incrível que, mais recentemente, esteve interpretando Anderson em Malhação Viva a Diferença e no spin-off da mesma série, As Five.

A história começa com o recém ingressante da universidade de medicina chegando atrasado em sua primeira aula e, logo de cara, sendo confundido com um funcionário da faculdade. Para quem já esteve nesta situação a identificação é imediata e, logo nos primeiros minutos, a gente consegue entender para onde nós, espectadores, estamos sendo levados. Em uma trama que mistura necropolítica, a partir do comportamento político-social que dita como pessoas negras devem viver e morrer e tantos outros constrangimentos que o personagem principal é sujeito por conta de sua cor, conseguimos perceber em um período de 1h e 24 minutos o quanto negros em nosso país sofrem as consequências de 300 anos de escravidão. O filme é contado de forma simples, quase didática, procurando denunciar o cotidiano de muitos dos jovens pretos universitários que precisam enfrentar as adversidades causadas pela causa racial.

Em um país onde a cada 23 minutos um jovem negro é assassinado e onde nossos passos são constantemente vigiados e tolhidos pelo racismo, produções que priorizam histórias contadas por pessoas pretas são cada vez mais importantes. Embora o filme inteiro seja um desconforto a cada cena, o convite à reflexão sobre o tipo de ambiente no qual vivemos é muito mais atrativo, convencendo-nos do quanto ainda estamos muito atrasados a alcançar uma sociedade menos desigual.

 
 
 

4 comentários


Camila Dias
Camila Dias
15 de set. de 2021

Sor, vim direto do Twitter e estava maratonando teus textos aqui. Aliás, esse filme é per-fei-to, também recomendo demais.

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Aline M.
Aline M.
17 de mar. de 2021

Ótima indicação, obrigada!

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Rubiane Lazzeri da silva
Rubiane Lazzeri da silva
11 de mar. de 2021

Excelente reflexão! Obrigada pela recomendação irei assistir!

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Henrique Mineiro
Henrique Mineiro
11 de mar. de 2021

👏🏻👏🏻👏🏻

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