E você?
- gustavorodrigues937
- 27 de jan. de 2021
- 2 min de leitura
Eu não sei se vocês já pararam para pensar, mas é incrível o quanto facilmente deixamos de viver nossas vidas por demandas exigidas por terceiros e, simplesmente, esquecemos do bem mais precioso que existe: nós mesmos. Se vocês ainda não perceberam isso, seria bom que começassem o quanto antes, afinal, ao contrário dos gatos, como já diria a cultura popular, temos apenas uma vida.
Em virtude de inúmeros compromissos que selamos e responsabilidades que temos, a manutenção da saúde e o comprometimento com o bem estar de nossa própria vida tem ficado cada vez mais de lado. É comum, por exemplo, observarmos pais que, na ânsia de proporcionar o melhor para a família, abdicam de momentos preciosos ao lado de seus filhos. Não entro neste assunto com a intenção de cometer qualquer tipo de julgamento, pois sei, mesmo ainda não sendo pai, o quanto é importante a conservação de uma vida digna às crianças da casa. Mas ao mesmo tempo me pergunto se dentro desta condição de vida digna não deveríamos também enquadrar elementos muito importantes para o desenvolvimento dos pequenos, como o tempo da brincadeira, do carinho e da atenção como um todo, coisas que não exigem dinheiro ou até objetos e presentes caros.
Para além da questão familiar, que é algo de extrema importância para mim, acreditem, temos aí a nossa individualidade. Quanto tempo de seu dia vocês reservam para falar com os seus amigos? Mas quando eu uso o verbo “falar” não estou me referindo ao uso do celular para aquela comunicação rápida e instantânea. Estou falando sobre momentos de convívio com estas pessoas, que, na maioria das vezes, nos conhecem muito mais do que nossos próprios parentes. Caso vocês não sejam adeptos de muitos amigos, certamente a melhor companhia que vocês poderiam ter é a de vocês mesmos. Então, caros amigos, vocês já se proporcionaram aqueles momentos de cuidado? Já pararam para assistir àquela série de tv ou filme que estavam há tempos postergando? E já fizeram aquele jantar maravilhoso, acompanhado de uma bebida especial? Não ainda? E estão esperando o que para fazer?
Já que tocamos no assunto filme, é interessante perceber que a indústria do cinema vem tratando deste tópico há anos, com filmes que trazem sempre a perspectiva de uma pessoa extremamente workaholic que, ao final, na tentativa de uma redenção, tenta refazer sua vida. Um dos exemplos mais comuns é o apresentado no filme “Click” (2006), cujo personagem principal, aqui interpretado por Adam Sandler, se vê adiantando as etapas de sua vida e, por consequência, de sua família, através de um controle remoto mágico. Isso porque, dentro de sua ganância, tenta alcançar uma grande promoção em seu trabalho. Ao final, ele percebe que não adiantou absolutamente nada ter atingido o seu objetivo profissional se o mais importante, o convívio com os seus entes queridos, já tinha perdido.
Por isso, queridos leitores, antes que vocês pensem que sou contra a dedicação ao trabalho, quero explicar que apenas acredito na possibilidade de uma vida muito mais equilibrada. Uma vida onde as pessoas possam encontrar a balança entre estes dois universos. Que em algum momento ainda possamos pesar a importância destes dois mundos e percebermos que é necessária a realização profissional, acadêmica e intelectual, assim como também é imprescindível o cuidado que devemos ter conosco.






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