Eu escrevo mal
- gustavorodrigues937
- 6 de dez. de 2021
- 2 min de leitura

Para evitar falsas compreensões acerca do título deste texto, já deixo claro que essa afirmação é apenas uma constatação saudável. Uma verdade que talvez ainda doa, mas necessária para que eu possa entender como acontecem os processos da escrita.
Digo isso não para que vocês sintam pena e pensem "nossa, pobre menino sonhador". Não é por aí. A questão é que algumas verdades, pelo menos para mim, só conseguem ser observadas ou quando pronunciadas em alto volume ou na forma escrita, passando diante dos meus olhos. É claro que esse processo, embora seja feito de forma consciente e com lucidez, não indica que eu esteja tranquilo. Pelo contrário, até porque a racionalidade não descarta a existência da emoção. Me dói saber que a minha escrita, mesmo que feita com muito esforço e dedicação, ainda esteja rasa. Para mim, por exemplo, falta sentimento, verdade, e principalmente literatura.
Nesse último final de semana, meu curso de Formação de escritores promoveu um evento maravilhoso para celebrar o final de um ciclo. Após 2 anos de curso, ganhei meu certificado. No papel, 150h estavam marcadas como práticas e estudo, mas é engraçado como após todo esse tempo, a sensação de fracasso tenha tomado conta da minha mente. Sei quando ela começou e está justamente ligada ao que falei antes. Constatei que sobrava aos palestrantes (autores renomados e premiados) literatura, o que em mim faltava. Porque, assim como um deles comentou, uma coisa é você escrever bem, outra é você produzir literatura. Bom, meu objetivo talvez seria conseguir conciliar os dois, mas já ando duvidando até mesmo do primeiro.
A minha esperança se deposita na possibilidade de me desenvolver com o tempo, de conseguir compreender melhor os caminhos da verdadeira literatura e, quem sabe, conseguir me tornar um autor melhor. Por enquanto, ainda que não seja confortável, permanecerei me adequando ao silêncio que minha arte provoca, até que um dia possa suportar os efeitos de seu barulho.




Passei pelo mesmo quando percebi que não desenhava bem. Não para o que eu queria. Mas, por outro lado, também foi um alívio, pois a autocobrança deu uma trégua e pude perceber com mais clareza quais fundamentos me faltavam e se valia a pena me dedicar para aquilo. E isso é uma coisa que só a gente pode avaliar. Não adianta aqui eu dizer que tu escreve maravilhosamente bem, ou alguém dizer que meu desenho é lindo. A gente precisa disso pra descobrir o nosso estilo e personalidade na arte. Sucesso, Gus!!
Se o que você escreve não é literatura, então não sei mais o que é. Você é muito melhor do que muitos livros que já li.