Pluralidade: E o que nós temos a ver com isso?
- gustavorodrigues937
- 27 de jan. de 2021
- 3 min de leitura
Desde que me entendo como professor, precisando encarar os diversos desafios da educação, incluindo aqui toda e qualquer situação encontrada, acredito que a escola se faz a partir da pluralidade. Pluralidade de pensamentos, de crenças, de gêneros e aprendizagem, pois é desta forma que conseguiremos demonstrar aos nossos alunos como o mundo real funciona e só assim será possível formar gerações que respeitem a existência das diferenças e as incluam em suas vidas de forma natural, assim como já deveria ser feito.
O caminho, porém, continua sendo bastante longo, uma vez que ainda vivemos em uma sociedade majoritariamente preconceituosa, que incapacita a presença do diferente do “padrão” em nossas vidas. Mas o que seria então este padrão? Bom, o padrão é aquele que sempre foi aceito por todos e considerado o modelo de existência. Aquele que ainda, infelizmente, dita comportamentos, regras e normas as quais apenas ele consegue manter dentro da sua existência. E isto em algum momento é saudável para uma sala de aula? É claro que não. Dentro de uma mesma turma, teremos uma quantidade muito grande de alunos completamente diferentes uns dos outros. Ali, nós teremos aquele que é mais magrinho, o que é mais gordinho, as crianças negras, as crianças brancas, o aluno cadeirante, aqueles que têm algum tipo de síndrome e assim por diante, cada um com a sua especificidade. Enfim, a variedade de crianças que existem com suas peculiaridades em cada turma é muito grande. Assim como as formas de aprendizagem também mudam. Há estudos que já determinaram a existência de diferentes tipos de inteligência, e que cada indivíduo possui uma forma distinta de aprendizagem. Alguns são mais visuais, outros são mais musicais. Há ainda aqueles que só conseguem ter uma aprendizagem mais significativa através da movimentação do seu corpo e por aí vai. Tenho certeza de que vocês, enquanto leem este texto, por exemplo, já estão se perguntando de que forma vocês aprendem melhor. Eu já tentei fazer este teste e percebi que sou extremamente visual. Aprendo muito olhando e memorizando onde fiz as minhas anotações. Assim, também, como sei sobre a minha inclinação para a área das linguagens.
E por que faço um texto sobre esta temática tão específica? Porque ainda há uma dificuldade de as pessoas compreenderem o quão plural nós somos em toda nossa essência. O quanto é importante olharmos para cada um de forma a não tentar fazer comparações, pois cada indivíduo é um universo e suas necessidades são distintas. É preciso, principalmente, que aceitemos estas diferenças como algo bom e significante para a construção de uma sociedade mais diversificada, onde seremos todos mais respeitados dentro das nossas individualidades. Entender essas facetas, contudo, não pode ser apenas delegada a fase adulta, pois nesta etapa muito do que nós somos e pensamos já foi construído, estabelecido e as mudanças são muito mais complicadas. Como, por exemplo, dizer a um adulto machista que ele deve respeitar a sua colega de trabalho, porque ela é um ser humano exatamente como ele, ou fazer com que as necessidades de pessoas com alguma deficiência possam ser escutadas dentro de uma grande empresa? Vocês já pararam para pensar quantos casos de racismo ou homofobia poderiam ser evitados se ensinássemos na escola que as pessoas são diferentes e está tudo bem? Porque a escola não é apenas o lugar onde aprendemos o que é uma oração subordinada substantiva, o ciclo de Krebs ou Bhaskara. Aliás, embora sejam conteúdos importantes e que irão, de alguma forma, fazer com que possamos exercitar o nosso raciocínio, duvido muito que suas melhores lembranças de seus anos escolares sejam estas. Geralmente, lembramos dos conselhos, dos momentos que passamos com as pessoas que gostamos e com quem aprendemos. Ou seja, tudo é basicamente sobre as relações que temos e criamos durante este período. Então por que não mostrar também o quão importante é compreendermos o outro e termos empatia pela vida do próximo?
Mas afinal, como pergunta o título do texto, “o que nós temos a ver com isso?” Absolutamente tudo, meus amigos. Estamos mais afogados nesta história que o personagem Jack em Titanic. Por sinal, não sejamos a Rose nesta situação, que de forma passiva deixa o seu amor morrer congelado, enquanto ela se beneficia do único material que flutuava próximo a eles. Sejamos mais. Precisamos olhar para os nossos alunos como pessoas individuais. Como seres diferentes, com suas necessidades e desejos. Que possamos observá-los de forma a admirar a pluralidade que ali temos. E principalmente, que possamos potencializar muito mais as suas qualidades do que os seus possíveis defeitos. Acredito que a partir daí, conseguiremos construir um mundo onde as pessoas não apenas tolerem as diferenças, mas que as celebrem.






Comentários